quinta-feira, 13 de maio de 2010

ENSAIO DE CONTO

Memória e esquecimento



Demorou. Foram dias desmedidos com uma dor só possível aos puros. Dias únicos. Impossível descrever com exatidão de onde vinha a dor. Ele não a amava. Nunca se deixava ficar no território sagrado da paixão. Desdenhava do amor. A moça sofreu. Nada sabia do amor além de senti-lo e como doía. Não era gozo ou sexo. Daí o inexplicável. Ela permaneceu amando e vivendo. Um dia percebeu que amara em demasia a possibilidade do amor. Os detalhes esquecidos eram tão intensos, quanto os jamais esquecidos. Neste dia ela perdoou.

2 comentários:

Moni. disse...

Tive uma sensação de auto-perdão também...
Que coisa linda...

Robério Sacramento disse...

Quando estes sentimentos caminham juntos é como se a vertigem reinasse.